quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

"PREGUIÇA BAIANA", TEMA DE DOUTORADO NA PUC

DOUTORADO NA PUC - TEMA: "PREGUIÇA BAIANA" Date: Thu, 7 Feb 2008 12:27:55 +0000
DOUTORADO NA PUC - TEMA: 'PREGUIÇA BAIANA' 'Preguiça baiana' é faceta do racismo. A famosa 'malemolência' ou preguiça baiana, na verdade, não passa de racismo, segundo concluiu uma tese de doutorado defendida na USP. A pesquisa que resultou nessa tese durou quatro anos. A tese, defendida no início de setembro pela professora de antropologia Elisete Zanlorenzi, da PUC-Campinas, sustenta que o baiano é muitas vezes mais eficiente que o trabalhador das outras regiões do Brasil e contesta a visão de que o morador da Bahia vive em clima de 'festa eterna'. Pelo contrário, é justamente no período de festas que o baiano mais trabalha. Como 51% da mão-de-obra da população atua no mercado informal, as festas são uma oportunidade de trabalho. 'Quem se diverte é o turista', diz a antropóloga.O objetivo da tese foi descobrir como a imagem da preguiça baiana surgiu e se consolidou. Elisete concluiu, após quatro anos de pesquisas históricas, que a imagem da preguiça derivou do discurso discriminatórios contra os negros e mestiços, que são cerca de 79% da população da Bahia.
O estudo mostra que a elevada porcentagem de negros e mestiços não é uma coincidência. A atribuição da preguiça aos baianos tem um teor racista.A imagem de povo preguiçoso se enraizou no próprio Estado, por meio da elite portuguesa, que considerava os escravos indolentes e preguiçosos, devido às suas expressões faciais de desgosto e a lentidão na execução do serviço (como trabalhar bem-humorado em regime de escravidão??? ?).
Depois, se espalhou de forma acentuada no Sul e Sudeste a partir das migrações da década de 40. Todos os que chegavam do Nordeste viraram baianos. Chamá-los de preguiçosos foi a forma de defesa encontrada para denegrir a imagem dos trabalhadores nordestinos (muito mais paraibanos do que propriamente baianos), taxando-os como desqualificados, estabelecendo fronteiras simbólicas entre dois mundos como forma de 'proteção' dos seus empregos.Elisete afirma que os próprios artistas da Bahia, como Dorival Caymmi,Caetano Veloso e Gilberto Gil, têm responsabilidade na popularização da imagem. 'Eles desenvolveram esse discurso para marcar um diferencial nas cidades industrializadas e urbanas. A preguiça, aí, aparece como uma especiaria que a Bahia oferece para o Brasil', diz Elisete. Até Caetano se contradiz quando vende uma imagem e diz: 'A fama não corresponde à realidade. Eu trabalho muito e vejo pessoas trabalhando na Bahia como em qualquer lugar do mundo'.
Segundo a tese, a preguiça foi apropriada por outro segmento: a indústria do turismo, que incorporou a imagem para vender uma idéia de lazer permanente 'Só que Salvador é uma das principais capitais industriais do país, com um ritmo tão urbano quanto o das demais cidades.'
O maior pólo petroquímico do país está na Bahia, assim como o maior pólo industrial do norte e nordeste, crescendo de forma tão acelerada que, em cerca de 10 anos será o maior pólo industrial na América latina.Para tirar as conclusões acerca da origem do termo 'preguiça baiana', a antropóloga pesquisou em jornais de 1949 até 1985 e estudou o comportamento dos trabalhadores em empresas.
O estudo comprovou que o calendário das festas não interfere no comparecimento ao trabalho. O feriado de carnaval na Bahia coincide com o do resto do país. Os recessos de final de ano também. A única diferença é no São João (dia 24 /06), que é feriado em todo o norte e nordeste (e não só na Bahia). Em fevereiro (Carnaval) uma empresa, cuja sede encontra-se no Pólo Petroquímico da Bahia, teve mais faltas na filial de São Paulo que na matriz baiana (sendo que o n° de funcionários na matriz é 50% maior do que na filial citada). Outro exemplo: a Xerox do Nordeste, que fica na Bahia, ganhou os dois prêmios de qualidade no trabalho dados pela Câmara Americana de Comércio (e foi a única do Brasil). Pesquisas demonstram que é no Rio de Janeiro que existem mais dos chamados 'desocupados' (pessoas em faixa etária superior a 21 anos que transitam por shoppings, praias, ambientes de lazer e principalmente bares de bairrosdurante os dias da semana entre 9 e 18h), considerando levantamento feito em todos os estados brasileiros. A Bahia aparece em 13°lugar. Acredita-se hoje (e ainda por mais uns 5 a 7 anos) que a Bahia é o melhor lugar para investimento industrial e turístico da América Latina, devido a fatores como incentivos fiscais, recursos naturais e campo para o mercado ainda não saturado. O investimento industrial e turístico tem atraídomuitos recursos para o estado e inflando a economia, sobretudo de Salvador, o que tem feito inflar também o mercado financeiro (bancos,financeiras e empresas prestadoras de serviços como escritórios de advocacia, empresas de auditoria, administradoras e lojas do terceiro setor).

Faça-me o favor de divulgar, encaminhar, citar esta Tese ao maior número possível de pessoas. Para que, desta forma, possamos acabar com este estereótipo de que o baiano é preguiçoso. Muito pelo contrário, somos dinâmicos e criativos. A diferença consiste na alegria de viver, e por isso, sempre encontramos animação para sair, depois do expediente ou da aula, para nos divertir somos comunicativos, somos pessoas amigáveis, simpáticas, de bem com a vida ...

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

FORMAS DE COMEÇAR : EXEMPLOS

Existem diversas formas de ajudar e ser solidário. Segundo especialistas no assunto, as ações independem da idade, profissão ou escolaridade de cada um, sendo necessário apenas boa vontade e o desejo de querer fazer algo por alguém. "É a partir de pequenas ações que se muda um País. Todo mundo tem algum talento que pode estar oferecendo para a transformação do outro", destaca a coordenadora de Voluntariado nas Comunidades da ONG Recife Voluntário, a advogada especializada em Legislação do Terceiro Setor Liliane Fell. Ela acredita que o voluntariado é o espaço ideal para despertar nas pessoas a consciência cidadã e desenvolver nelas o compromisso com as questões sociais, trazendo melhorias para toda a sociedade. "É preciso sair do mundo individual para estar se engajando em ações coletivas".

O primeiro passo, segundo Liliane, é olhar ao redor. "Muitas vezes a gente não ajuda porque não está vendo alguém que está bem próximo. Então, a partir do momento que você vê, que sente, que encarna a necesidade do próximo as coisas começam a acontecer. Não é necessário ter recursos, ter pessoas do seu lado, mas é necessário que você sinta a dor do outro", completa a pastora da Igreja Anglicana Água Viva Siméa Meldrum, que realiza uma série de ações sociais na comunidade de Jardim Brasil 5, nas proximidades do Lixão de Aguazinha, em Olinda (saiba mais). Liliane dá a dica: "Comece a olhar seu bairro. Se existe uma praça depredada, uma área verde que precisa ser revitalizada, uma pessoa doente, um idoso necessitando de companhia; problemas sociais não faltam. Não espere ninguém chamar ou alguma ONG recrutar voluntários e tome a iniciativa", ensina.

A advogada revela que o número de voluntários tem crescido no mundo e atribui este aumento, em parte, ao movimento contrário promovido pelo caos social da atualidade. "A violência gera indignação e acaba resultando na adesão das pessoas que querem transformar a realidade para o voluntariado". No Recife, o perfil do voluntariado é jovem. "A maioria das pessoas, cerca de 90%, que chega ao Recife Voluntário é universitário. Eles procuram o serviço com a motivação de adquirir conhecimento e experiência." Outra característica são as ações pontuais. "No período das férias ou em datas comemorativas, como o Dia das Crianças, aumenta o número de interessados. Normalmente, eles não querem estar desenvolvendo ações planejadas, com compromisso de horário e continuidade". Mas Liliane não desanima: "É bom porque, a partir de uma experiência solidária, a pessoa desperta para a consciência cidadã e se engaja depois em algum outro momento."

As organizações sociais ainda têm uma visão assistencialista do voluntariado. "Eles esperam ajuda, mas não desenvolvem projetos visando ao voluntariado que dêem resultados concretos para a comunidade. As organizações que implementam programas específicos de voluntariado estão conseguindo evoluir, mas não é a maioria", conta. A advogada acredita que as ações assistenciais são importantes para situações emergenciais, como a fome, por exemplo, porém, passado esse nível, tem que progredir. "A doação simples anula a iniciativa das pessoas de procurar outras alternativas, gera acomodação e mantém o ciclo de miséria. É importante que ela esteja atrelada a programas que gerem emprego e renda", enfatiza. O grande desafio da ONG Recife Voluntário é estimular o voluntariado a manter o compromisso e dar continuidade às ações. "Nosso sonho é que o voluntariado no Brasil vire um hábito e não uma ação isolada, a exemplo do que acontece no Canadá, país de referência no assunto, onde as ações solidárias fazem parte do cotidiano das pessoas."

PARCERIA - O Recife Voluntário é parceiro do canal Cidadania do JC OnLine desde 2002. Há quase 10 anos, realiza ações de sensibilização, capacitação e reconhecimento do trabalho voluntário, promovendo o intercâmbio entre comunidade, empresas, poder público e voluntários, além de realizar oficinas de capacitações. A ONG capacita uma média de 80 voluntários por mês ou 960 por ano. "A oficina tem duração de 4 horas. Somente depois dela é que o voluntário pode ser encaminhado para uma das instituições sociais conveniadas ao Recife Voluntário", explica a diretora presidente, Vasnusa Lack. Nas aulas, os candidatos recebem informações sobre diversos pontos do voluntariado, como histórico, motivação, direitos, responsabilidades, objetivos do milênio, além de formas e locais de atuação. Atualmente, 2.860 pessoas estão desenvolvendo trabalhos voluntários e esse número só tende a crescer.

Os interessados devem procurar a sede da entidade, localizada em Boa Viagem, no Recife, e preencher uma ficha de cadastro. A mesma ficha também está disponível no site do Recife Voluntário (www.voluntario.org.br) e pode ser enviada por e-mail. Os inscritos serão convidados a participar de oficinas e encaminhados às organizações cadastradas na ONG que atuam na Região Metropolitana do Recife. (J.M.)


SERVIÇO:

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